Futebol

Capítulo XXIV | O guarda-redes madrileno foi substituído pelo massagista

Ao regressarmos aos jogos internacionais devemos focar o pormenor do ano de 1928 ter sido magnífico para os portugueses, pois não esqueçamos o brilhante comportamento da equipa nacional de futebol nos Jogos Olímpicos de Amesterdão.

E prova disso é que logo a seguir ao excelente empate frente à fortíssima selecção espanhola, outro resultado valioso foi obtido contra a Argentina, no dia 1 de Abril de 1928, no Estádio do Lumiar.

Portugueses e argentinos chegaram ao final dos 90 minutos empatados a zero bolas, numa partida em que o alcantarense Carlos Alves ganhou a sua segunda internacionalização.

As equipas alinharam da seguinte forma:
PORTUGAL – Roquette (Casa Pia); Carlos Alves (Carcavelinhos) e Jorge Vieira (Sporting); Martinho de Oliveira (Sporting), Serra e Moura (Sporting) e César de Matos (Belenenses); Valdemar (FC Porto), João dos Santos (Vitória FC), Vítor Silva (Benfica), Pepe (Belenenses) e José M. Martins (Sporting), depois Alfredo Ramos (Belenenses).
ARGENTINA — Diaz; Bidoglio e Paternoster; Medici, Zumelzu e Monti; Perinetti, Ochoa, Tarascone, Cerro e Orsi.
Arbitrou o argentino Lorenzo Martinez.

Quinze dias após o desafio com a Argentina, foi a turma nacional chamada a defrontar o «onze» representativo italiano. Novamente o defesa-direito, Carlos Alves, mereceu a honra de ser chamado a defender as cores de Portugal.

O futebol português vivia um momento de euforia.

Chovera no Porto durante a semana mas no dia do jogo (15 de Abril de 1928), o campo do Ameal apresentava uma aspecto imponente. O «comité» de seleccionadores, formado por Cândido de Oliveira, Ricardo Ornelas e dr. Mário de Castro, escolheu os seguintes jogadores: Roquette (Casa Pia); Carlos Alves (Carcavelinhos) e Jorge Vieira (Sporting); Martinho (Sporting), Augusto Silva (Belenenses) e César (Belenenses); Valdemar (FC Porto), Ramos (Belenenses), Vítor Silva (Benfica), Armando Martins (Vitória FC) e José Manuel Martins (Sporting).
A Itália apresentou: Glanni; Calligaris e Gasperi; Pietrobani, Gaichini e Janni; Conti, Balondieri, Libonatti, Rossetti e Levratto.

Os portugueses entraram a dominar e breve alcançaram nítida vatagem técnica e territorial. Aos 18 minutos, Valdemar obteve o primeiro golo e, oito minutos depois, o mesmo Valdemar, de cabeça, pôs o resultado em 2-0. AOS 32 minutos a Itália reduziu para 2-1, tento de Libonatti.

Antes do intervalo, Armando Martins magoou-se e saiu do terreno, entrando Pepe para o seu lugar, mas no segundo tempo, os portugueses voltaram à formação inicial.

Ao quarto de hora, Vítor Silva, marcou a terceira bola e a dois minutos do final do prélio, novamente Valdemar Mota fez funcionar o marcador pela última vez. Portanto. bela vitória da selecção Nacional por 4-1.

Bom trabalho em conjunto da equipa portuguesa. O portista, Valdemar Mota, talvez por actuar perante o seu público, realizou um jogo notável.

Oito dias depois, na capital, efectuou-se o Lisboa-Madrid. desafio que terminou com um empate a duas bolas. As equipas alinharam;
Lisboa — Roquette (Casa Pia), Carlos Alves (Carcavelinhos) e Jorge Vieira (Sporting): Martinho Oliveira (Sporting), Serra e Moura (Sporting) e César de Matos (Belenenses); José Manuel Martins (Sporting), Cervantes (Sporting), Vítor Silva (Benfica), Pepe (Belenenses) e Alfredo Ramos (Belenenses).
Madrid – Vidal; Flores e Lafuente; Espanza, Reverter e Peña; Caballero, Cosme, Marin, Callapez e Navarro.
Arbitrou Salvador do Carmo, que foi muito criticado.

No primeiro tempo marcaram-se três golos. Ramos obteve o primeiro, aos 26 minutos. Os madrilenos empataram por Cosme, e, um minuto antes do Intervalo, Pepe, em nítida posição de «fora-de-jogo», desfez a igualdade. Na segunda parte, o espanhol, Marin, empatou novamente, aos 10 minutos.

O «Diário de Lisboa» escreveu «que entre a vitória do Ameal, contra a Itália, e o embate do Estádio, há um meio termo».

A selecção lisboeta incluiu oito «internacionais» recentes, e Cervantes, por ser da Galiza, era o único não internacional.

Assim, o público mostrou-se pouco simpático para a selecção Lisboeta pois não perdoou que a equipa da capital não ganhasse rapidamente ao combinado madrileno.

Vítor Silva jogou com violência e inutilizou o guarda-redes adversário, que foi substituído pelo massagista, o qual, durante a meia-hora que esteve nas redes não teve necessidade de tocar na bola.

Roquette e o defesa do Careavelinhos, Carlos Alves, brilharam. Os restantes muito apáticos.

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